quarta-feira, 30 de abril de 2008

LIBERDADE DO CATIVEIRO


Liberdade do Cativeiro

A mídia noticiou algo surpreendente e repugnante na última semana. Um austríaco, chamado Josef Fritzl, manteve sob cárcere privado sua filha Elisabeth durante vinte e quatro anos. Durante todo esse tempo ele enganou a sua esposa afirmando que a filha havia fugido de casa para juntar-se a uma seita religiosa.

No cativeiro Elizabeth foi molestada sexualmente durante todo esse tempo. E, como resultado desses abusos sexuais foram gerados seis filhos. Três desses filhos foram criados no cárcere e nunca haviam contemplado a luz do sol, até que a liberdade os alcançasse.

Contemplar a luz deve ter sido uma experiência transformadora. Elas estavam habituadas às limitações do minúsculo cativeiro e certamente não podiam imaginar que havia, como disse o músico, “tanta vida lá fora”.

Isto lembra o cárcere a que todos somos submetidos por conta do nosso afastamento de Deus. Nossa visão de mundo se restringe as sensações “agradáveis” que experimentamos no nosso cotidiano. Nada é tão pragmático e tão atraente como estas sensações. Sentimos-nos tão bem dentro do mundo que criamos, que pediríamos com todas as nossas forças para que ninguém nos tirasse dali. A verdade é que pensamos que o nosso cativeiro é, na realidade, a nossa fortaleza.

No entanto, creio que uma vida tão bela, tão intensa, tão complexa não pode se resumir a sensações que criamos. Nosso senso de bem estar pode ser fruto da visão única do cativeiro que conhecemos durante toda a nossa existência.

Certa vez Jesus disse: “e conhecerão a verdade, e a verdade os libertará.” E em outro lugar também declarou: … Eu sou o caminho, a verdade e a vida;...”

Tentei imaginar como foi a primeira visão da liberdade que aquelas pessoas tiveram na Áustria.

- “Olha, aquela luz é bem maior!”; Puxa, aqui não tem paredes, olha como a gente pode andar longe!, hei, você já sentiu esse cheiro? Que maravilha........".

Não permita que as suas sensações determinem a verdade. Creia que existe algo maior. Algo que está além da percepção natural. Algo sobrenatural e espiritual. Uma vida que vale a luta de sair do escuro para contemplar a luz.

E você, já imaginou o que pode viver com Jesus?

quarta-feira, 23 de abril de 2008

PAIS E FILHOS


PAIS E FILHOS



Estátuas e cofres E paredes pintadas Ninguém sabe o que aconteceu... Ela se jogou da janela Do quinto andar Nada é fácil de entender...
(…)
É preciso amar as pessoas Como se não houvesse amanhã Por que se você parar Prá pensar Na verdade não há...
(trecho da música do Legião Urbana)

Aprendi desde muito cedo que a família é a célula matter da sociedade. No entanto, os destemperos da sociedade contemporânea parecem sugerir que esta célula entrou em colapso. Agora, mais uma dúvida assalta o coração ferido da família moderna: Como deve ser o relacionamento entre pais e filhos?

Recordando as coisas “lá de casa” lembrei de três palavras importantes: Respeito, amor e disciplina.

Ah, vocês precisavam ouvir o assobio do meu pai. Aquele som era mais imponente que o de um árbitro de futebol. O som forte parava a pelada dos moleques na hora. Sem contar que ele nunca soava mais de uma vez. Ninguém em casa ousava levantar a voz e os olhos pra ele. Ele era (e é) o pai. E como eu costumava cantar quando pequenino, ele era “meu herói, meu bandido”. Esse era o respeito que devíamos ao homem que levantava todos os dias bem cedinho só pra cuidar da gente.

Por outro lado como era doce a voz da mãe (até hoje). No aperto das resposabilidades escolares era ela quem socorria. Na hora dos pedidos mais constrangedores (pedir dinheiro pro pai), era ela quem pedia. E quando o meu ¼ do salário terminava, era ela quem completava. Além disso era o colo dela que a gente procurava quando doía e quando sorria. Isto era amor.

Mas os dois nunca se esqueceram da disciplina. Algumas poucas vezes vimos as “havainas” pelo lado de baixo e outras vezes sentimos o peso do olhar de repreensão (ah, como esse doía). Mas aquelas coisas foram fazendo da gente (meus irmãos e eu) homens honrados, graças a Deus.

As vezes desejo que meu filho sinta as mesmas coisas que senti quando criança. Meus pais, como eles? Pouquíssimos!

Salomão, filho de Davi “A vara e a disciplina dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe.”

Paulo – “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor.”

terça-feira, 22 de abril de 2008

Onde Estava Deus?


Onde Estava Deus?

Um dia desses eu resolvi ler alguns comentários sobre a morte da Isabella e deparei-me com um cidadão que dizia: “Onde estava Deus?”, “Por que ele permitiu isso?” e concluía: “Se ele realmente fosse Deus e fosse bom, isso não teria acontecido”. Quando leio estas coisas fico lamentando as distorções do nosso raciocínio.

Ainda que pudéssemos evocar a sabedoria divina, para acalentar a alma, dizendo que Ele sabe o que faz, a questão ainda não seria o que Ele fez, mas o que nós somos capazes de fazer. Poucas coisas nos impressionam mais do que a capacidade de ferir o outro que encontramos em nós mesmos.

De repente, percebi que o que nos choca na história do assassinato da menina não é apenas a morte cruel e terrível, mas também a revelação da própria essência humana, compartilhada por todos nós. Nós somos capazes de fazer estas coisas!

Talvez seja difícil admitir, mas em muitos momentos somos confrontados em nossa própria consciência com esta condição cruel. A verdade é que nem sempre expressamos os nossos pensamentos mais recônditos do coração, e que bom que é assim! Mas também não podemos impedir que eles nasçam dentro de nós. O fato é que quando julgamos o outro, tentamos encobrir as provas que pesam contra nós.

Desta maneira, a questão certa não é “Onde estava Deus?”, mas “Onde nós estamos?”.

Foi Paulo, o grande apóstolo do cristianismo quem disse: “Como sou infeliz! Quem me livrará deste corpo que me leva para a morte?”

A resposta dele?

Jesus!

O SEGREDO DA CONFISSÃO



O SEGREDO DA CONFISSÃO


O Brasil parou para acompanhar os depoimentos do pai e da madastra de Isabella Nardoni. A verdade é que desde aquela fatídica noite, quando a morte alcançou a pequena menina, não se pensa em mais nada senão na descoberta do(s) culpado(s) e na sua confissão. Mas, se você tivesse assassinado “acidentalmente” um ente querido seu, você confessaria?


A palavra “confessar” significa declarar o que se fez. Durante muito tempo (e até hoje) a Igreja Católica Romana vem fazendo uso da chamada confissão auricular, aquela feita ao pé do ouvido do padre que está no confessionário. Protegidos pelo anonimato, muitos contam os seus pecados e se sentem aliviados quando são despedidos com a obrigação de cumprirem determinados ritos religiosos sem maiores conseqüências. Todos eles sabem que o “segredo de confissão” é inviolável.


Mas a pergunta que desafia a consciência permanece: E se a minha confissão trouxesse conseqüências desagradáveis, será que eu contaria tudo? Tudo mesmo?


A confissão verdadeira pressupõe um reconhecimento pleno da culpa. Ela é completamente destituída de sentimentos de auto-comiseração. E ainda, leva o culpado a considerar a necessidade da reparação ou da restituição, ainda que nem todas as coisas sejam reparáveis ou restituíveis.
Certamente, essa atitude é resultado de um convencimento interno, que acontece no coração e nos coloca diante da dor que aflige o outro. A ato da confissão é um desafio ao ego. Somos confrontados com o nosso próprio ser e levados a considerar que há coisas importantes também fora de nós.


Naturalmente não se pode entender que o “eu” está totalmente descartado no ato da confissão. Quando aprendemos a olhar o outro percebemos também a nós mesmos.
Mas, e ai? Você confessaria?