segunda-feira, 22 de junho de 2009

SCHLEIERMACHER




INTRODUÇÃO


Uma das grandes necessidades do homem é conhecer a Deus. De certo modo, isto não é apenas uma necessidade, mas também uma ordem de Deus para o homem. O profeta Jeremias escreveu: Jeremias 9.24 “mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o SENHOR e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR.”. Contudo, nesta busca pelo conhecimento de Deus e pelas realidades eternas, nem todos tem sido iluminados pelo Espírito Santo e, por conseguinte, suas elucubrações não passam de vãs filosofias.
No presente trabalho apresentaremos, de maneira sumária, o pensamento de Friedrich Schleiermacher, considerado por muitos como o Pai da Teologia Liberal e por outros como o Teólogo do Sentimento.
Na primeira parte do trabalho abordaremos os aspectos biográficos focalizando algumas influências determinantes nos rumos do pensamento de Schleiermacher e nas páginas subsequentes consideraremos alguns temas chaves desenvolvidos por ele.
Por último, de forma objetiva, procuraremos mostrar a incompatibilidade do esquema de pensamento de Schleiermacher com a doutrina reformada.
Desta maneira, os aspectos considerados no desenvolvimento desta pesquisa servirão como material para o desenvolvimento do conhecimento do pensamento de Schleiermacher.
No entanto, o trabalho não tratará com exaustão todas as nuances do pensamento liberal desenvolvido por ele, o que naturalmente provoca o ensejo de uma nova pesquisa que forneça outros subsídios para uma apologética reformada biblicamente orientada. Além disso, deve-se observar que o presente trabalho não tem caráter apologético, mas serve como instrumento de apresentação do pensamento de Schleiermacher.




1 A VIDA DE SCHLEIERMACHER


Certamente, um dos nomes mais importantes da chamada “teologia liberal” é o de Schleiermacher. Naturalmente, isto se deveu ao fato de suas idéias revolucionárias, que fizeram dele, segundo vários estudiosos, o pai da teologia liberal.
Para começarmos a entender o seu pensamento é indispensável uma análise, ainda que breve, dos principais elementos que marcaram a sua vida. Certamente, todos os aspectos mencionados na sua biografia cooperaram decisivamente para que ele se tornasse o teólogo que foi.
Sendo assim, consideraremos neste tópico alguns aspectos relacionados à sua biografia.
Friedrich Daniel Ernst Schleiermacher nasceu num berço cristão reformado, em Breslau, a 21 de setembro de 1768.
Seu pai, Gotllieb Schleiermacher, era um ministro reformado de uma capela na Prússia. Certamente, tanto a Prússia, quanto a teologia reformada exerceram certa influência na formação primeira de Schleiermacher.
Seus primeiros anos de vida transcorreram debaixo da influência da doutrina calvinista. Contudo, ainda muito jovem ele se viu envolvido com o movimento pietista e, mais particularmente com os Moravianos, cujo nome mais proeminente é o do seu líder Nicolau Von Zinzendorf.
Essas influências petistas o levaram cedo a se envolver com a religião do coração, menos ligada aos sentimentos do coração e penitência do que à alegria da salvação, o que aconteceu a partir do seu ingresso no seminário de Barby, um seminário de orientação Moraviana, quando ele tinha apenas 17 anos.
Considerado o pai da teologia liberal, cedo se destacou como um jovem talentoso, o que lhe abriu inúmeras portas.
Contudo, uma das principais influências de Schleiermacher foram os escritos de Kant, especialmente os Prolegomenos de Uma Futura Metafísica (1783), o que o aproximou do racionalismo-iluminista. Sob a orientação de August Eberhard, Schleiermacher se entregou profundamente aos estudos de Kant.
Estas influências começaram a florescer logo, o que fica claro no trecho de uma de suas correspondências para o seu pai, onde ele diz:

Não posso considerar que alguém que se considerava apenas a si mesmo como o Filho do Homem, possa ser o Deus verdadeiro e eterno. Não posso acreditar que sua morte constituía uma reconciliação substitutiva, porque ele nunca se lhe referiu assim, e porque não posso acreditar que ela fosse necessária...

Particularmente, no que concerne a influência de Kant, Schleiermacher se prendeu ao fato de que também cria que a competência da razão pura encontra-se dentro dos limites da experiência humana.
Aos 28 anos ele abandona o racionalismo e começa a se abrir para influências advindas da sua admiração pelas artes e pela ciência, o que aprofundou o seu antropocentrismo. E aos 31 anos ele publicou sua primeira obra, intitulada “Acerca da religião”.
Contudo, para entendermos Schleiermacher também devemos considerar o momento histórico onde ele viveu. Ele vivenciou os estragos que o racionalismo provocou no cristianismo e sua reação foi considerada por muitos como uma espécie de salvação do cristianismo. No entanto, sua proposição totalmente centralizada no homem e nos sentimentos subjetivou a revelação e praticamente anulou a idéia de Deus. Deste modo, aquilo que se pensou ser o remédio para o caos do cristianismo acabou tornando-se um dos seus maiores venenos.




2 RELIGIÃO COMO SENTIMENTO E RELACIONAMENTO


Um dos aspectos mais importantes do pensamento de Schleiermacher é o seu conceito sobre religião. Durante este tópico procuraremos demonstrar a maneira como ele construiu tal conceito.
Schleiermacher acreditava que a verdadeira religião era sentimento e experiência com o infinito, o que nos leva a entender que para a ele a religião era, em si, a prova do infinito.
Citando Schleiermacher, Renato Salles procura mostrar como ele entendia a religião:

Ele explica: a religião não aspira a conhecer e explicar o universo em sua natureza, como a metafísica, nem aspira a continuar o seu desenvolvimento e aperfeiçoá-lo através da liberdade e da vontade divina do homem, como a moral. A sua essência não está no pensamento, nem na ação, mas sim na intuição e no sentimento. Ela aspira intuir o Universo [...]


Certamente, este seu conceito sobre a religião está conectado ao fato dele ter uma visão intensamente relacional da humanidade. O que, naturalmente, está diretamente ligado à sua visão da religião como um sentimento. Deste modo, quando ele vislumbra as emoções do ser humano, ele não as vê simplesmente como um filtro, mas como um testemunho interno e como respostas para realidades.
Contudo, essa relação com o infinito não são apenas formulações racionais e é nesse aspecto que vislumbramos sua percepção do aspecto relacional da humanidade. Deste modo, todo sentimento de dependência deriva da influência do outro sobre o que sente, conforme a sua natureza.
Então, Salles observa:

Portanto é a ação do infinito sobre o homem que dá origem a intuição, e o sentimento é a resposta do sujeito. Este sentimento que reage à influência do infinito no homem é sentimento de total dependência deste ao Absoluto. Portanto a religião “não é nem uma crença dogmática, nem um código moral, senão um sentimento, e mais precisamente um sentimento de dependência[...].”. Desta maneira a religião seria um conjunto dos conscientes de sua dependência do Absoluto, Absoluto este que é imanente ao mundo. Por isso ele diz: “Amar o espírito do mundo e contemplar gozosamente sua atividade, tal é a meta de nossa religião.”. Toda construção dogmática é posterior, fruto deste sentimento de dependência. A Revelação não seria um conjunto de verdades dado por Deus a qual nós devemos assentir, mas algo subjetivo, que nasce de nossa consciência de dependência do divino, expressão de um infinito que está para além de nossa individualidade e que seria inefável em linguagem racional.


Ainda dentro da mesma perspectiva, Joacir Soares diz:


Para Schleiermacher, a religião é a relação do homem com a Totalidade (com o Todo). Ora, a Totalidade e o Todo se relacionam também com a metafísica e a moral, como ressalta Giovanni Reale. Mas isso, segundo o nosso filósofo-teólogo, foi fonte de graves equívocos, que fizeram penetrar indevidamente na religião grande quantidade de idéias filosóficas e morais. Mas a metafísica diz respeito ao pensamento que se vincula à Totalidade, ao passo que a ética diz respeito ao agir em relação à Totalidade (as simples ações vistas como "deveres" deduzidos da natureza do homem em relação com o universo). Mas a religião não é pensamento nem atividade moral. Então, indaga Reale, o que é ela? É intuição e sentimento do infinito e, como tal, possui fisionomia bem precisa, que se distingue tanto da metafísica como da ética, responde.



Assim, podemos entender que para Schleiermacher a essência da religião não consiste no exercício do intelecto, mas na intuição e no sentimento. Para ele a religião é o sentido e o gosto pelo infinito. Uma atitude que se caracteriza pela sua passividade infantil diante do mistério inefável do universo.
Dentro dessa percepção, Schleiermacher vê o racionalismo e a ortodoxia como responsáveis pela intelectualização e pela rígida codificação do pensamento religioso, enquanto para ele a religião situava-se no domínio dos sentimentos.
Sendo assim, ele crê que a religião é aquela instância capaz de dar a verdadeira universalidade ao espírito humano, facilitando uma visão integral da realidade diante da unilateralidade das atitudes intelectualistas e moralizantes. Por isso ele crê que a religião surge da relação do finito com o infinito, pois implica reconhecer o limitado como uma expressão do infinito. Certamente, esse conceito de Schleiermacher perverte o conceito de uma revelação proposicional divina. Afinal, no pensamento do teólogo alemão, o indivíduo torna-se o ponto de partida do conhecimento, o que caracteriza um processo empírico de elaboração do conceito de religião e da própria idéia do outro.
Ademais, a sua proposição se desdobra em consequências mais sérias, pois o finito e o infinito não podem ser concebidos como realidades separadas. Deste modo, ao enfatizar a imanência do infinito ele chega a conclusão de que não se pode buscar o infinito fora do finito, o que acaba sendo uma espécie de negação da existência autônoma de Deus.
Assim, Schleiermacher desenvolve o seu pensamento ensinando que a essência da religião deve ser encontrada não no conhecimento mas na experiência – num sentimento de dependência absoluta, o que ficará mais claro quando falarmos sobre o seu conceito sobre Deus.
Portanto, para ele a religião é a consciência da divindade tal como se encontra em nós mesmos e no mundo. O que significa que na sua concepção a religião é algo puramente subjetivo.





3 O SENTIMENTO DE DEPENDÊNCIA ABSOLUTA


Antes de pensarmos propriamente no que significa para Schleiermacher esse “sentimento de dependência absoluta”, devemos lembrar que a ênfase dele na religião como sentido deve-se tanto a influência da educação moraviana, com sua ênfase na vida piedosa e pouca fundamentação dogmática, quanto no movimento Romântico e sua ênfase exacerbada na experiência como fator determinante da verdade.
Sendo assim, um dado importante que deve ser anotado é que para ele a religião não deveria competir com a ciência natural, pois a religião jamais ganharia com qualquer competição, antes ele entendia que todas as coisas concorrem para o conhecimento do infinito, no qual todas as coisas subsistem. Outrossim, para ele nenhum conhecimento pode florescer fora de uma consciência piedosa, o que nos leva a entender que para o teólogo alemão a religião do sentido é parte da existência do homem.
Esse sentimento, contudo, é o modo de apreensão da realidade na religião, que deve acontecer como fruto de uma consciência piedosa, o que é definido no pensamento de Schleiermacher como o “sentimento de dependência absoluta ”.
Esse sentimento de dependência absoluta é o mundo da experiência normal. Um mundo no qual nós estamos inseridos e sentimos. Neste mundo nos sentimos dependentes de muitas coisas e esse sentimento de dependência, que se relaciona com a consciência religiosa equivaleria ao próprio Deus, o que acaba tornando-se uma espécie de negação da existência de Deus, e mais objetivamente da possibilidade de uma revelação proposicional. Essa afirmação está claramente exposta na sua principal obra, “The Christian Faith”, onde ele diz:

O elemento comum em todas as diversas expressões da piedade, pelo qual esta coisa se distingue de todos os outros sentimentos, ou, em outras palavras, a essência da autoconsciência da piedade é esta: a consciência de ser absolutamente dependente, ou, o que é a mesma coisa, do ser em relação à Deus.


Mais adiante, na mesma obra, Schleiermacher ainda afirma:

Como observado na identificação dessa dependência absoluta com ‘relação a Deus’ em nossa proposição: Isso deve ser entendido no sentido de que a nossa existência receptiva e ativa, implícita nessa autoconsciência, deve ser designada pela palavra ‘Deus’... .


Outrossim, devemos lembrar que esse sentimento de dependência absoluta se dá a partir da relação com o outro.




4 TEOLOGIA COMO REFLEXÃO


Outro aspecto importante do pensamento de Schleiermacher diz respeito a sua visão da Teologia como reflexão. Em várias obras e de maneira recorrente nós o encontramos tratando desta matéria.
Ele crê que a teologia é uma ciência positiva onde partes diferentes se unem num todo aderente, formando um modo particular de fé. Desse modo a teologia é um maneira particular de ser consciente de Deus. Portanto, na compreensão de Schleiermacher a teologia pode diferir de acordo com cada modo particular de fé.
Neste aspecto, em virtude de sua rejeição a um revelação proposicional, Schleiermacher crê que a teologia é fruto de uma cooperação mútua, enfatizando a experiência do ser em detrimento do caráter revelacional das Escrituras.
Esse conceito ganha ainda mais corpo quando percebemos que na sua concepção as doutrinas cristãs são explicações dos sentimentos ou afeições da religião cristã. Clements observa que para ele as proposições dogmáticas da religião são tipos didaticamente descritivos, como observado no texto do próprio teólogo alemão: “A expressão poética está sempre baseada originalmente sobre o momento de exaltação, o qual vem puramente de dentro – um momento de entusiasmo ou inspiração.” . Assim, ele se prepara para argumentar que as afirmações que Cristo faz sobre si como Redentor, que parecem ser proposições dogmáticas, são na verdade resultado da perfeita apreensão e apropriação dessa experiência religiosa, na pessoa de Cristo.
Então, no intuito de argumentar em favor de uma teologia reflexiva, ele ensina que todas as proposições do sistema de doutrina cristão, são descrições da situação humana. Assim, uma proposição dogmática de um sistema de doutrina, à parte de uma convicção pessoal, não é possível, segundo a concepção de Schleiermacher. Perceba, que mais uma vez essa linha de raciocínio vai de encontro ao conceito de uma revelação proposicional.





5 DEUS NO CONCEITO DE SCHLEIERMACHER


Certamente, o seu conceito sobre Deus não poderia ser apropriado, em função do que já foi exposto nas considerações anteriores.
Schleiermacher crê que a Divindade, em sua acepção habitual, não pode revelar ou dizer nada. Esta afirmação importante ganha contornos mais nítidos quando vislumbramos o seu conceito sobre Deus. Ele entende que Deus é incognoscível para a mente humana. Essa sua concepção o leva a supervalorizar a experiência em detrimento da revelação proposicional e objetiva das Escrituras. Para encontrar Deus uma pessoa deve olhar para dentro de si e experimentá-lo.
Deste modo devemos lembrar que para Schleiermacher o caminho para o conhecimento da divindade era o sentimento de total dependência do outro.
Em sua obra Solilóquios ele chega a declarar: “tantas vezes quanto volto minha atenção para dentro do mais intimo do meu ser, estou no campo da eternidade”. Para ele, esse sentimento íntimo é o lugar adequado para o labor teológico, e isto era o estar relacionando-se com Deus, onde o eu aprende com o eu divino. Deste modo ele tornava Deus uma realidade supra-pessoal. Assim, Cristo não poderia ser Deus, mas alguém em quem brilhava a dependência absoluta da divindade. O que se constitui num grave erro cristológico.
Ainda sobre Jesus, Clements observa que para Schleiermacher Jesus é apenas um homem que tem consciência de Deus . Para ele, Cristo é um homem como nós somos. Deste modo, ele entendia que a obra redentora de Cristo consiste no fato de nos trazer uma consciência sobre Deus. Sobre isso, Clements, interpretando o pensamento do teólogo liberal, diz: “A obra redentora de Cristo (...) consiste em revelar a consciência de Deus ao fiel.” . Contudo, devemos observar que essa consciência de Deus não significa que ele seja um ser independente e pessoal, mas a própria idéia do “outro” como concebida na experiência do indivíduo.
Portanto, há que se observar o fato de que Schleiermacher entendia que Deus, como ensinado nas Escrituras, não pode dizer nada. Portanto, a idéia de Deus se confunde com a própria experiência da religião. Ele não crê num Deus transcendente, mas numa divindade imanente que é a própria experiência da religião.





6 A REVELAÇÃO PROPOSICIONAL E SUA INCOMPATIBILIDADE COM O PENSAMENTO DE SCHLEIERMACHER


É verdade que as Escrituras não se preocupam em apresentar uma apologia sistematizada sobre a existência de Deus. Aliás, podemos afirmar que a existência de Deus é a grande pressuposição da teologia.
Contudo, vale lembrar as palavras das Escrituras que nos ensinam: Hebreus 11:6 “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam.”. Certamente, o texto da epístola aos Hebreus nos mostra que a existência de Deus é essencialmente uma matéria de fé. Não obstante, crer em Deus não é contrário à constituição humana, por isso, a teologia reformada, e mais especificamente Calvino, reconheceram que Deus plantou no homem uma semente da religião e um senso de divindade. A partir daí, crer em Deus se torna algo completamente natural à constituição do homem.
A partir daí, entendemos que é propósito de Deus revelar-se ao homem e Ele o faz através de atos e palavras . Essa revelação se faz necessária em função do estado de pecado a que o homem se sujeitou . O homem não poderia conhecer a Deus se este não se revelasse a ele, e mesmo dentro dessa divina revelação, o homem só pode conhecer a Deus até onde ele deixar-se conhecer.
Assim, Deus não é a revelação, não podendo ser confundido com ela ou com qualquer sentimento de dependência do outro que exista no ser humano. Contudo, Deus é o sujeito da revelação, que se faz conhecido ao homem. Ademais, sem essa revelação o homem jamais poderia conhecer a Deus. Contudo, isso não significa que a revelação não versa sobre Deus.
Essa revelação que Deus faz de si mesmo tem a necessidade de ser proposicional, ou seja, escrita em palavras.
Além disso, a impessoalidade do sentimento de dependência absoluta e das expressões da religiosidade defendida por Schleiermacher entram em conflito com a idéia da existência de um Deus pessoal. Os atributos de Deus provam a sua pessoalidade e contrariam a proposição do teólogo alemão. Cremos num Deus pessoal que se revela de maneira objetiva.
Sobre isso, Louis Berkhof ainda afirma que: “Todo o nosso conhecimento de Deus é derivado da sua Auto-revelação na natureza e na Escritura” .
Portanto, o pensamento de Schleiermacher é totalmente oposto a idéia de uma revelação proposicional.




CONCLUSÃO


Não se pode esconder a frustração por perceber que alguém formado aos pés da doutrina reformada se desvie tanto de Deus. A vida de Schleiermacher serve para nos mostrar, portanto, o quão carentes nós somos da iluminação do Espírito Santo para compreendermos o que o Senhor tem nos falado.
Ademais, devemos nos lembrar que é propósito de Deus tornar-se conhecido do homem. Esta realidade é confirmada pela revelação geral e pela revelação especial.
Contudo, não podemos afirmar que a doutrina reformada, biblicamente orientada, sofre a mesma aridez que impulsionou Schleiermacher no início da sua jornada. Embora ela não seja superficial como aquela que caracterizou o movimento pietista, ela também toca o homem em suas experiências mais íntimas, mas o faz como resultado de uma profunda e fundamentada transformação.
O estudo do pensamento de Schleiermacher serve para despertar na igreja contemporânea o senso de responsabilidade quanto ao aprendizado das Escrituras como palavra autoritativa de Deus. O abandono ou a negligência desta questão poderá nos afastar seriamente da verdade revelada pelo Senhor.
Portanto, a história deixa o seu exemplo para que a Igreja tenha o seu caminho firmado no Senhor que se revela, de maneira proposicional, nas Sagradas Escrituras.





REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


A BÍBLIA Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. 2 ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. Tradução de Odayr Olivetti. 2. ed. Campinas: Luz Para o Caminho, 1992. 790p.

CAMPOS, Heber C. Teologia da Revelação. São Paulo: Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper, 2009. 204 p. (Apostila xerografada).

D’ABADIA, Joacir S. Schleiermacher: A Interpretação da Religião. Disponível em < http://www.webartigos.com/articles/17314/1/schleiermacher-a-interpretacao-da-religiao/pagina1.html > Acesso em: 27 mai. 2009.

RUEDELL, Aloísio. Da Representação Ao Sentido: Através De Schleiermacher À Hermenêutica Atual. Porto Alegre: Edipucrs, 2000. 226 p.

SALLES, Renato. Schleiermacher: Pai da Teologia Liberal Protestante. Disponível em < http://renatosalles.blogspot.com/2009/01/schleiermacher-pai-da-teologia-liberal.html >. Acesso em: 25 mai. 2009.

SCHLEIERMACHER, Friedrich. Brief outline on the study of theology – Philosophical, Historical, Pratical. Translated by Terrence N. Tice. Richmond: John Knox Press, 1966. 132 p.

______. The Christian Faith. Edited By H. R. Mackintosh and J. S. Stewart. Edinburgh: T & T Clark, 1994. 760 p.

______. Friedrich Schleiermacher : Pioneer of Modern Theology. Ed. Keith Clements. Minneapolis: Fortress, 1991. 281 p.

KUNG, Hans. Os Grandes Pensadores Do Cristianismo. Lisboa: Presença, 1999. 219 p.