segunda-feira, 9 de março de 2009

EFEITOS COLATERAIS DA OBRA DE CRISTO

INTRODUÇÃO

Não são raros os momentos nas Escrituras onde encontramos os autores sacros falando sobre a dependência que toda criação tem da bondade de Deus. Todos esperam que o Senhor os sustente. E ele, pelo exercício da sua livre vontade, tem cuidado providencialmente de toda a obra de suas mãos.
Ademais, uma das questões mais interessantes relativas a esse cuidado diz respeito às bênçãos que o Senhor derrama sobre a vida dos ímpios. Assim, não podemos negar o fato de que bênçãos celestes têm sido derramadas sobre a vida de homens que não são eleitos. Portanto, a questão decorrente deste ponto é: Seriam essas bênçãos efeitos colaterais da obra de Cristo?
No presente trabalho discutiremos o tema: Os Efeitos Colaterais da obra de Cristo. E, para tanto, consideraremos a extensão da expiação da obra de Cristo em sua relação mais particular com os réprobos, seguido de uma análise do significado da chamada “graça comum”. Em seguida analisaremos a base judicial desta graça, sua relação com a doutrina da providência e do pacto, seguido da apreciação de alguns textos bíblicos.
Nosso trabalho considerará as reflexões de teólogos reformados como Berkhof, Calvino, Palmer, Boettner e outros, no intuito de fundamentar a tese central proposta.
Deste modo, entendemos que a discussão desta matéria fornecerá uma oportunidade de reflexão sobre as bênçãos de Deus sobre a vida dos ímpios.

1 A EXTENSÃO E OS EFEITOS COLATERAIS DA OBRA DE CRISTO


Ainda que não seja o propósito deste trabalho discorrer sobre o caráter soteriológico da obra de Cristo, não podemos deixar de omitir certos conceitos imprescindíveis na elaboração dos fundamentos do tema proposto.
Deste modo, observamos que a obra expiatória de Cristo Jesus está diretamente ligada ao decreto eterno e soberano da eleição. Aqueles que foram marcados por Deus na eternidade, receberam a graça de serem representados por Cristo na sua morte, em função da sua relação federal com o Mediador. Estes eleitos são um número definido, que pelo soberano beneplácito divino, recebem a graça especial e a salvação eterna, sem que nenhum mérito neles seja considerado. Portanto, a expiação na sua proposição soteriológica fundamental é limitada, sendo suficiente e eficiente apenas para os eleitos.
Por outro lado, ao falar sobre a extensão dos efeitos da obra de Cristo, Loraine Boettner diz que os calvinistas entendem que o propósito secreto de Deus era que Cristo morresse apenas pelo povo que ele elegeu, contudo sua morte tem uma “referência incidental” aos outros na medida em que eles se tornam participantes da sua graça comum. Essa referência incidental é o que temos denominado de efeitos colaterais da obra de Cristo. Escrevendo sobre isso Boettner afirma: “Nós não podemos negar, é claro, que toda humanidade recebe muitas e importantes bênçãos por causa da obra de Cristo. A penalidade a qual eles tem sido infligidos por causa do pecado é temporariamente suspensa”.
Boettner entende que essa manifestação das bênçãos de Deus sobre a vida dos ímpios serve aos propósitos do Senhor na promoção da sua glória e são partes necessariamente importantes no desenvolvimento do seu Reino.
Deste modo, Boettner crê que há um sentido em que Cristo morreu por todos os homens. Embora as influências especiais de sua morte sejam aplicadas pelo Espírito Santo apenas nos eleitos e para a sua salvação, nos não salvos são produzidos efeitos incidentais que cooperam para o propósito maior de Deus.
Nesta mesma linha de argumentação, ao discutir sobre a extensão da expiação de Cristo, Leandro Lima, no seu livro – Razão da Esperança, observa: “Arminianos, Luteranos e calvinistas concordam, (…) que todos os seres humanos, mesmo os incrédulos, recebem algum benefício da morte de Cristo.”.
Com isto estamos lembrando que o propósito primeiro e fundamental da obra de Cristo é a salvação dos eleitos. Não pode haver outro propósito tão fundamental quanto este. Ao morrer na cruz do Calvário Jesus Cristo satisfazia de forma perfeita a justiça divina e provia as condições necessárias para que o Espírito aplicasse nos eleitos a salvação. Contudo, em função do estado deplorável a que o mundo ficou sujeito pela corrupção do pecado, Deus tem comunicado bênçãos aos ímpios, com o intuito, em última análise, de tornar o mundo mais suportável para os filhos do seu amor.
Por isso, entendemos que essas comunicações são incidentais e secundárias, embora estejam assentadas na mesma obra expiatória de Cristo.
Assim, devemos então entender como a teologia reformada define essa comunicação de bênçãos aos ímpios, o que faremos no próximo tópico.

2 A GRAÇA COMUM


Teólogos reformados têm procurado fazer uma distinção entre a graça especial e a chamada graça comum. Em suma, podemos dizer que em seus efeitos a graça especial é necessariamente soteriológica, o que não acontece na graça comum.
Contudo, observamos mais especificamente a definição de graça comum, anotada por Berkhof:

“as operações gerais do Espírito Santo pelas quais Ele, sem renovar o coração, exerce tal influência sobre o homem por meio da Sua revelação geral ou especial, que o pecado sofre restrição, a ordem é mantida na vida social, e a justiça civil é promovida; ou as bênçãos gerais, como a chuva e o sol, água e alimento, roupa e abrigo, que Deus dá a todos os homens indiscriminadamente, onde e quando Lhe parece bem fazê-lo”.


Berkhof entende que no cumprimento do seu propósito redentor nada é mais natural do que Deus comunicar certas graças àqueles que se relacionam com o povo dele, e nessa conclusão ele é acompanhado de teólogos como Boettner.
Por isso, Berkhof afirma:

“E não é nada mais natural que seja assim. Se Cristo devia salvar uma raça eleita, paulatinamente chamada do mundo da humanidade no transcurso dos séculos, era necessário que Deus exercesse paciência, detivesse o curso do mal, promovesse o desenvolvimento das faculdades naturais do homem, mantivesse vivo no coração dos homens o desejo de manter a justiça civil, a moralidade exterior e a boa ordem na sociedade, e derramasse incontáveis bênçãos sobre a humanidade em geral.”


Contudo, devemos cuidar para evitar distorções no conceito de graça comum. O termo está relacionado ao fato de que estas graças são comunicadas indistintamente tanto aos eleitos quanto aos ímpios. A diferença fundamental entre a chamada graça comum e a graça salvadora está no efeito soteriológico desta última, o que, portanto, a torna especificamente dirigida aos eleitos.
Portanto, podemos dizer que Deus vem comunicando bênçãos sobre a vida de todos os homens, o que chamamos de graça comum.


3 A BASE JUDICIAL DA GRAÇA COMUM


A partir daí afirmamos que em virtude do seu caráter santíssimo, todo ato de benevolência graciosa da parte de Deus necessita de uma base legal. Ele não pode recompensar o pecado, nem mesmo exercitar a sua paciência, sem que uma provisão seja oferecida.
Desta maneira, lembramos que o homem natural está sob maldição e não sob a condição de receber bênçãos. Contudo, a própria Escritura tem ensinando que Deus ainda continua comunicando bênçãos sobre a vida de todos os homens .
Portanto, ainda que os teólogos reformados, que na sua maioria sustentam a doutrina da graça comum, não cheguem a declarar claramente qual a base judicial para a comunicação destas bênçãos sobre os ímpios, não nos resta outra alternativa, a não ser concluir que a base legal para as comunicações graciosas de Deus sobre a vida dos ímpios está na obra expiatória de Cristo Jesus.
Para desenvolver esta argumentação percebemos algumas inferências consideráveis nos escritos de alguns estudiosos como William Cunningham que afirma que muitas bênçãos celestes fluem para a humanidade em geral provindas da morte de Cristo. Cunningham diz ainda que todos esses benefícios foram previstos por Deus quando ele resolveu enviar o seu Filho paro o mundo. Deste modo, sua declaração de que essas bênçãos provém da morte de Cristo sugerem que a base judicial está na própria obra expiatória de Cristo.



4 RELAÇÃO COM A DOUTRINA DA PROVIDÊNCIA


Embora a teologia reformada tenha tratado a doutrina da providência com uma ênfase maior no seu aspecto soteriológico, podemos afirmar que ela é mais ampla. Uma vez que todas as criaturas existem em função da sustentação que provém do Senhor podemos dizer que a providência é exercida num contexto soteriológico, mas não só.
Ao estudarmos a doutrina da providência de Deus nos colocamos diante daquela sua ação continuada onde ele preserva as coisas que foram criadas, executa os seus decretos e proporciona os meios para que as escolhidos conheçam o Redentor. Nesta sua obra da providência existem três elementos fundamentais: a preservação, o governo e o concursus.
Particularmente, no que concerne a preservação podemos observar que é tarefa especial de Deus preservar o homem. O profeta Isaías assim o declara: “Isaías 41:4 Quem fez e executou tudo isso? Aquele que desde o princípio tem chamado as gerações à existência, eu, o SENHOR, o primeiro, e com os últimos eu mesmo.”. Ao comentar o capítulo onde se encontra esta passagem, Van Groningen o coloca dentre os textos messiânicos do Antigo Testamento , o que nos leva a crer que a ação de preservação de Deus está intimamente relacionada ao ministério do Redentor.
Assim, devemos lembrar que a obra da providência é também uma obra do Filho, que em virtude da sua relação pactual com Israel acaba, incidentalmente, estendendo as bênçãos da aliança a pessoas que não são da aliança. Contudo, devemos lembrar que essa ação providente de Deus visa em primeira instância o bem do seu povo e, por consequência acaba atingindo o ímpio.
É exatamente essa idéia que adorna a expressão do apóstolo Paulo quando ele diz que todas as coisas cooperam para o bem dos que amam a Deus. . O Senhor conduz a história de tal forma que bênçãos são derramadas sobre a vida dos ímpios, para o bem dos escolhidos.
Dentre essas bênçãos analisaremos panoramicamente a ação restringente do Espírito como sinal da graça comum.

4.1 A AÇÃO RESTRINGENTE DO ESPÍRITO COMO SINAL DA GRAÇA COMUM.

De outro modo devemos reiterar a idéia de que muitos são os elementos que se relacionam com a manifestação da graça comum. Palmer, falando sobre essa graça sendo exercida através do ministério do Espírito Santo, escreve:

“Seja como for, a graça comum também compreende outras coisas mais sobre a ação do Espírito Santo na vida da gente. Inclui o fato de que Deus oferece sinceramente a salvação aos que estão perdidos mesmo não sendo eleitos e, portanto, sem nunca crer”.

Deste modo, nosso propósito aqui não será o desenvolvimento extensivo desta doutrina, mas apenas a observação da sua relação com a graça comum e, consequentemente, como efeito colateral da obra expiatória de Cristo.
Podemos dizer que essa ação do Espírito Santo se dá em dois níveis: um positivo e um negativo.
Positivamente o Espírito Santo opera estimulando as boas obras e, negativamente, freando a manifestação do pecado na vida dos indivíduos. Além disso, podemos dizer ainda que o Espírito Santo dota o homem de certas capacidades naturais para o desenvolvimento de certas tarefas culturais. Ao agir desta maneira o Espírito Santo impede a manifestação do mal na sua plenitude e ao abençoar com certa paz os ímpios, faz com que o mundo seja mais agradável aos filhos do reino.
Como nas Escrituras o Espírito é conhecido como o “Espírito da graça”, segue-se que essa ação restringente do Espírito é fruto da graça comum. Deste modo ele age indistintamente sobre todos os homens.

5 RELAÇÃO COM A DOUTRINA DO PACTO


Quando a Confissão de Fé de Westminster, um documento doutrinário de orientação reformada, trata sobre a doutrina do pacto, ela registra:

“Tão grande é a distância entre Deus e a criatura, que embora as criaturas racionais lhe devam obediência como seu Criador, nunca poderiam fruir nada dele, como bem-aventurança e recompensa, senão por alguma voluntária condescendência da parte de Deus, a qual agradou-lhe expressar por meio de um pacto”.

Isto significa que Deus tem se relacionando com as suas criaturas através de alianças. Citando Paul Helm, Mauro Meister declara que “de acordo com a teologia pactual, todas as relações de Deus com o homem são pactuais, de caráter federal”. . O que concorda com a declaração da Confissão de Fé de Westminster que ensina que Deus expressa a sua condescendência por meio de um pacto. Van Gronigen chega a declarar que a Bíblia “é o registro permanente das relações pactuais de Deus com a humanidade através dos séculos”. .
Nesta relação Deus estabeleceu laços de vida e amor, na criação, com toda a humanidade.
Contudo, Van Groningen observa que esta relação, estabelecida no pacto da criação, foi rompida, mas Deus tornou possível a restauração desse laço através do pacto da redenção. Assim, embora os dois pactos sejam distintos, o da criação e o da redenção, eles são inter-relacionados. Essa inter-relação mostra que existem elementos do pacto da criação que continuam sendo desdobrados no pacto da redenção. Por isso, Van Groningen também declara:

“O pacto da criação é o meio dentro do qual a vontade de Deus para a humanidade é conhecida e deve ser executada. É também o meio para a tarefa educacional e política da humanidade, tarefa essa inerente ao pacto da criação mas revelada à medida que o pacto da redenção é revelado e progressivamente desdobrado.”.

A partir daí, Van Groningen observa que do pacto decorre um mandato. O pacto da redenção traz consigo um mandato redentivo e sobre esse mandado redentivo Van Groningen escreve:

“ele (Deus) estabelece que a humanidade redimida seja uma benção para toda a humanidade – para todas as tribos, povos e nações. Isto será feito pela proclamação do evangelho da redenção e pela instrução nos caminhos que o Senhor designou para o serviço que glorifica a Deus”.


Ora, se o propósito de Deus no seu pacto de redenção é que os seu povo abençoe a humanidade, nada mais natural do que concluirmos que o próprio Deus irá também fazê-lo. Toda boa dádiva oriunda da comunidade do pacto é inspirada na manifestação da misericórdia divina. E, se Deus é misericordioso e gracioso em certa medida, com toda a humanidade, segue-se que ele continua abençoando o homem em virtude dos termos do seu pacto.
Além disso, devemos lembrar que a preservação, por exemplo, apresentada nas Escrituras, também está em conexão com a idéia de pacto. Ora, se a preservação é fruto do pacto, ela é, de certo modo, uma comunicação graciosa de Deus. Assim, se é uma comunicação graciosa de Deus ela tem necessariamente de encontrar uma provisão.
Em outras palavras. Toda comunicação graciosa de Deus necessita de uma provisão. Se ele se relaciona e se revela através de uma pacto, de alguma forma, as comunicações decorrentes desse pacto estão provisionadas neste concerto. Deste modo, na preservação, no governo e em qualquer outra comunicação, Cristo provê as condições.


6 EXEMPLOS BÍBLICOS DE BENÇÃOS DERRAMADAS SOBRE OS ÍMPIOS


Ao olharmos para as Escrituras Sagradas encontramos algumas informações preciosas sobre as bênçãos que o Senhor derrama sobre a vida dos ímpios. Essas indicações escriturísticas nos fornecem elementos imprescindíveis para o estabelecimento da proposta teológica desenvolvida neste trabalho.
Sendo assim, consideraremos neste tópico alguns textos bíblicos apropriados à temática do trabalho.
O primeiro texto bíblico separado é o de Atos 17.28. Nele encontramos o apóstolo Paulo no seu famoso discurso em Atenas. O seu público era formado por eleitos e não eleitos, o que é atestado pelo final da sessão em At. 17.32-34. Contudo ele é enfático ao declarar: Atos 17.28 “pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como alguns dos vossos poetas têm dito: Porque dele também somos geração.”. Aqui, Paulo reconhece que Deus continua derramando bênçãos sobre a vida de todos os homens.
Outro texto interessante é o de 2 Coríntios 9:10, onde se lê: “Ora, aquele que dá semente ao que semeia e pão para alimento também suprirá e aumentará a vossa sementeira e multiplicará os frutos da vossa justiça,”. Ao comentar esse texto, Calvino, vislumbrando a provisão do Senhor para o homem, declara: “…tanto a semente como o alimento provém da graça de Deus para o lavrador que semeia e acredita que é através do seu labor que as pessoas são nutridas.” . Ou seja, Deus derrama graciosamente a sua benção sobre o lavrador e, desta maneira, alcança indistintamente os homens. Essa declaração está em conformidade com o que diz o Salmo 145:15, onde se lê: “Em ti esperam os olhos de todos, e tu, a seu tempo, lhes dás o alimento.”.
Uma das porções bíblicas mais interessantes é a de Hebreus 6.4-6. Aqui o autor fala de um grupo de pessoas que não eram verdadeiramente crentes, mas, que em alguma medida provaram o dom celestial e se tornaram participantes do Espírito Santo. Calvino identifica essas pessoas com os apóstatas, o que parece muito natural na leitura do texto sagrado:

“4 É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, 5 e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, 6 e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia.” Hb. 6.4-6


Contudo, é extremamente interessante o comentário que ele faz sobre o verso 4, quando ele declara:

“Deus certamente confere seu Espírito de regeneração somente aos eleitos, e que eles se distinguem dos réprobos no fato de que são transformados na imagem de Deus, e recebem o penhor do Espírito na esperança de uma vida por vir, e pelo mesmo Espírito o evangelho é selado em seus corações. Em tudo isso, porém, não vejo razão para que Deus não toque os réprobos com o sabor da sua graça, ou não ilumine suas mentes com algumas chispas da sua luz, ou não os afete com algum senso da sua benevolência, ou em alguma medida na grave sua Palavra em seus corações.”

O autor da epístola aos Hebreus está, portanto, apresentando um quadro bem interessante, onde encontramos ímpios experimentando em alguma medida, porções da graça de Deus. Certamente, podemos afirmar que um dos propósitos de Deus é o de trazer ao coração dos verdadeiros crentes o senso de temor, humildade e consciência das nossas limitações diante do Senhor.
Tais textos servem, portanto, como uma breve observação das comunicações indistintas das bênçãos de Deus sobre a vida de todos os homens.


CONCLUSÃO


Deus, na sua insondável sabedoria derrama bênçãos sobre a vida dos não eleitos como efeitos colaterais da obra expiatória e Cristo.
Certamente esta ação de Deus revela a sua bondade e de modo especial ressalta a maneira sábia como ele administra as obras da sua providência. Isto significa que incidentalmente Deus comunica bênçãos sobre a vida de pessoas que não estão numa relação soteriológica com ele. Contudo, entendemos que essas bênçãos derramadas sobre a vida dos ímpios se dão em função do amor que Deus tem pelos seus. Assim, ao abençoar a vida dos réprobos Deus torna o mundo mais tolerável e, pela sua sábia e rica providência, conduz toda as coisas para um fim proveitoso.
Não obstante, devemos lembrar que os ímpios estão guardados sob maldição. Deus, ao abençoá-los revela-nos a grandeza da sua bondade, mas não permite que qualquer insinuação caluniosa macule a sua santidade. Ele ferirá com juízo os que rejeitam deliberadamente a pessoa de Cristo.
Outrossim todas as obras de Deus cumprem o Seu propósito. Ainda que pensemos nessas bênçãos sobre os réprobos como incidentais elas acontecem dentro da vontade decretiva de Deus.
Portanto Deus, com base na obra expiatória de Cristo, tem abençoado os ímpios e cumprido todo o seu propósito.


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