sexta-feira, 17 de abril de 2009

A IGREJA PROCLAMADORA


Uma Igreja Proclamadora




Faz parte da essência de qualquer coisa cumprir o propósito para o qual foi idealizado. E isto não é diferente com a Igreja, o que nos leva a dizer que ela só pode existir em função do seu propósito declarado nas Escrituras, qual seja: “Proclamar as virtudes daquele que a chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz”. Sendo assim, compete-nos entender que:
1) É TAREFA DA IGREJA PROCLAMAR A CRISTO EM TODA A SUA PLENITUDE: O apóstolo Paulo diz que Cristo em nós é a esperança da glória (Cl. 1.27). Sabemos que no passado as religiões de ocultismo vivam cegando o entendimento das nações. Contudo o Senhor Jesus, ao realizar o seu ministério, confere a igreja poder para marchar ofensivamente contra os portões do inferno arrancando o homem do caminho da condenação (Mt. 16.18). Somos os instrumentos que Deus quer usar para a comunicação do evangelho libertador de Jesus. Além disso, devemos lembrar também que ...
2) É TAREFA DA IGREJA FAZER DA OBRA MISSIONÁRIA A EXPRESSÃO NATURAL DA SUA EXISTÊNCIA: O que, de certo modo, vai de encontro a prática moderna da igreja. Isto é percebido em nosso tempo quando observamos igrejas se esforçando para criar programas missionários e evangelísticos. Nossas ações isoladas fornecem uma falsa impressão de fidelidade diante da ordem do Senhor. Contudo, nossa ação missionária deve ser como o ato de respirar: natural e contínuo, portanto, um fluxo normal de nossa existência. No mais, devemos lembrar que ...
3) É TAREFA DA IGREJA VIABILIZAR A CAPACITAÇÃO DOS SEUS MEMBROS PARA O SERVIÇO CRISTÃO: Nesse ponto devemos lembrar que o Espírito foi derramado no pentecostes também de modo capacitador. É verdade que Ele se torna o selo e o penhor da nossa herança, comunicando internamente em nosso coração a nossa nova posição diante do Senhor. Contudo, ao ser derramado, o Espírito Santo nos comunica dons que indicam propósitos (Ef. 4). Deste modo, compete a igreja a orientação bíblica adequada para que os crentes dotados pelo Espírito exercem, de modo natural e contínuo, o dom que receberam.
No entanto, todos devemos ler estas tarefas atribuídas à igreja como responsabilidades que recaem sobre todos nós. Embora a instituição seja o mecanismo facilitador destas ações, no âmbito da economia divina as atitudes são sempre requeridas das pessoas.
Que o Senhor continue usando o seu povo como instrumento para a realização dos seus propósitos eternos!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

A SI MESMO SE HUMILHOU!


A si mesmo se humilhou…



Quando Jesus se encarnou uma nova história para o pecador começou a ser vislumbrada. Embora ela tenha sido traçada na eternidade, naquele momento pudemos contemplar de maneira prática e objetiva o amor de Deus por nós. Esse amor, eterno e redentor, foi adornado pela determinação do Messias que se humilhou assumindo a forma de servo.
Sendo assim, num momento como este, onde os corações se sensibilizam pela lembrança do sofrimento do Messias, devemos aproveitar o exemplo dEle para transformarmos a nossa vida conforme o exemplo que encontramos.
Por isso:
1) Que sejamos servos
As Escrituras nos ensinam que ele assumiu a forma de servo. Não há em nenhum outro lugar nas Escrituras, nem na história antiga ou contemporânea exemplo mais adequado que o de Jesus, no que tange ao serviço do crente. Embora seja ele Senhor sobre todas as coisas desde a eternidade, sua disposição era a de um servo, que não veio para ser servido, mas para servir dando a sua vida em resgate por muitos.
Assim, se essa foi a disposição do Mestre não nos resta outra alternativa senão seguí-lo.

2) Que sejamos humildes
Ao assumir a forma de servo as Escrituras também ensinam que ele não julgou com usurpação o ser igual a Deus. Ele se sujeitou às nossas debilidades. Experimentou as nossas fraquezas e nisto foi humilhado. Contudo, seu exemplo nos inspira levando-nos não apenas a reflexão mas à necessidade de experimentarmos, de fato, um transformação em nosso ser. Temos de ser como ele é.

3) Que sejamos determinados:
Por último, ao olharmos para a sua caminhada determinada até o Calvário, somos desafiados a enfrentar todas as situações que tentam nos desviar do propósito mor de glorificar ao Senhor. Embora Jesus soubesse da sua hora e da dor que enfrentaria ele perseverou. Pois está escrito:
João 13:1 “Ora, antes da Festa da Páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim.”.

Hoje temos sido constituídos discípulos de Cristo. E, o discípulo só o é, de fato, quando tem a disposição de caminhar como o seu Mestre.
Portanto, se ele nos desafiou a uma vida de entrega e serviço, que seja esse o nosso procedimento.

segunda-feira, 9 de março de 2009

EFEITOS COLATERAIS DA OBRA DE CRISTO

INTRODUÇÃO

Não são raros os momentos nas Escrituras onde encontramos os autores sacros falando sobre a dependência que toda criação tem da bondade de Deus. Todos esperam que o Senhor os sustente. E ele, pelo exercício da sua livre vontade, tem cuidado providencialmente de toda a obra de suas mãos.
Ademais, uma das questões mais interessantes relativas a esse cuidado diz respeito às bênçãos que o Senhor derrama sobre a vida dos ímpios. Assim, não podemos negar o fato de que bênçãos celestes têm sido derramadas sobre a vida de homens que não são eleitos. Portanto, a questão decorrente deste ponto é: Seriam essas bênçãos efeitos colaterais da obra de Cristo?
No presente trabalho discutiremos o tema: Os Efeitos Colaterais da obra de Cristo. E, para tanto, consideraremos a extensão da expiação da obra de Cristo em sua relação mais particular com os réprobos, seguido de uma análise do significado da chamada “graça comum”. Em seguida analisaremos a base judicial desta graça, sua relação com a doutrina da providência e do pacto, seguido da apreciação de alguns textos bíblicos.
Nosso trabalho considerará as reflexões de teólogos reformados como Berkhof, Calvino, Palmer, Boettner e outros, no intuito de fundamentar a tese central proposta.
Deste modo, entendemos que a discussão desta matéria fornecerá uma oportunidade de reflexão sobre as bênçãos de Deus sobre a vida dos ímpios.

1 A EXTENSÃO E OS EFEITOS COLATERAIS DA OBRA DE CRISTO


Ainda que não seja o propósito deste trabalho discorrer sobre o caráter soteriológico da obra de Cristo, não podemos deixar de omitir certos conceitos imprescindíveis na elaboração dos fundamentos do tema proposto.
Deste modo, observamos que a obra expiatória de Cristo Jesus está diretamente ligada ao decreto eterno e soberano da eleição. Aqueles que foram marcados por Deus na eternidade, receberam a graça de serem representados por Cristo na sua morte, em função da sua relação federal com o Mediador. Estes eleitos são um número definido, que pelo soberano beneplácito divino, recebem a graça especial e a salvação eterna, sem que nenhum mérito neles seja considerado. Portanto, a expiação na sua proposição soteriológica fundamental é limitada, sendo suficiente e eficiente apenas para os eleitos.
Por outro lado, ao falar sobre a extensão dos efeitos da obra de Cristo, Loraine Boettner diz que os calvinistas entendem que o propósito secreto de Deus era que Cristo morresse apenas pelo povo que ele elegeu, contudo sua morte tem uma “referência incidental” aos outros na medida em que eles se tornam participantes da sua graça comum. Essa referência incidental é o que temos denominado de efeitos colaterais da obra de Cristo. Escrevendo sobre isso Boettner afirma: “Nós não podemos negar, é claro, que toda humanidade recebe muitas e importantes bênçãos por causa da obra de Cristo. A penalidade a qual eles tem sido infligidos por causa do pecado é temporariamente suspensa”.
Boettner entende que essa manifestação das bênçãos de Deus sobre a vida dos ímpios serve aos propósitos do Senhor na promoção da sua glória e são partes necessariamente importantes no desenvolvimento do seu Reino.
Deste modo, Boettner crê que há um sentido em que Cristo morreu por todos os homens. Embora as influências especiais de sua morte sejam aplicadas pelo Espírito Santo apenas nos eleitos e para a sua salvação, nos não salvos são produzidos efeitos incidentais que cooperam para o propósito maior de Deus.
Nesta mesma linha de argumentação, ao discutir sobre a extensão da expiação de Cristo, Leandro Lima, no seu livro – Razão da Esperança, observa: “Arminianos, Luteranos e calvinistas concordam, (…) que todos os seres humanos, mesmo os incrédulos, recebem algum benefício da morte de Cristo.”.
Com isto estamos lembrando que o propósito primeiro e fundamental da obra de Cristo é a salvação dos eleitos. Não pode haver outro propósito tão fundamental quanto este. Ao morrer na cruz do Calvário Jesus Cristo satisfazia de forma perfeita a justiça divina e provia as condições necessárias para que o Espírito aplicasse nos eleitos a salvação. Contudo, em função do estado deplorável a que o mundo ficou sujeito pela corrupção do pecado, Deus tem comunicado bênçãos aos ímpios, com o intuito, em última análise, de tornar o mundo mais suportável para os filhos do seu amor.
Por isso, entendemos que essas comunicações são incidentais e secundárias, embora estejam assentadas na mesma obra expiatória de Cristo.
Assim, devemos então entender como a teologia reformada define essa comunicação de bênçãos aos ímpios, o que faremos no próximo tópico.

2 A GRAÇA COMUM


Teólogos reformados têm procurado fazer uma distinção entre a graça especial e a chamada graça comum. Em suma, podemos dizer que em seus efeitos a graça especial é necessariamente soteriológica, o que não acontece na graça comum.
Contudo, observamos mais especificamente a definição de graça comum, anotada por Berkhof:

“as operações gerais do Espírito Santo pelas quais Ele, sem renovar o coração, exerce tal influência sobre o homem por meio da Sua revelação geral ou especial, que o pecado sofre restrição, a ordem é mantida na vida social, e a justiça civil é promovida; ou as bênçãos gerais, como a chuva e o sol, água e alimento, roupa e abrigo, que Deus dá a todos os homens indiscriminadamente, onde e quando Lhe parece bem fazê-lo”.


Berkhof entende que no cumprimento do seu propósito redentor nada é mais natural do que Deus comunicar certas graças àqueles que se relacionam com o povo dele, e nessa conclusão ele é acompanhado de teólogos como Boettner.
Por isso, Berkhof afirma:

“E não é nada mais natural que seja assim. Se Cristo devia salvar uma raça eleita, paulatinamente chamada do mundo da humanidade no transcurso dos séculos, era necessário que Deus exercesse paciência, detivesse o curso do mal, promovesse o desenvolvimento das faculdades naturais do homem, mantivesse vivo no coração dos homens o desejo de manter a justiça civil, a moralidade exterior e a boa ordem na sociedade, e derramasse incontáveis bênçãos sobre a humanidade em geral.”


Contudo, devemos cuidar para evitar distorções no conceito de graça comum. O termo está relacionado ao fato de que estas graças são comunicadas indistintamente tanto aos eleitos quanto aos ímpios. A diferença fundamental entre a chamada graça comum e a graça salvadora está no efeito soteriológico desta última, o que, portanto, a torna especificamente dirigida aos eleitos.
Portanto, podemos dizer que Deus vem comunicando bênçãos sobre a vida de todos os homens, o que chamamos de graça comum.


3 A BASE JUDICIAL DA GRAÇA COMUM


A partir daí afirmamos que em virtude do seu caráter santíssimo, todo ato de benevolência graciosa da parte de Deus necessita de uma base legal. Ele não pode recompensar o pecado, nem mesmo exercitar a sua paciência, sem que uma provisão seja oferecida.
Desta maneira, lembramos que o homem natural está sob maldição e não sob a condição de receber bênçãos. Contudo, a própria Escritura tem ensinando que Deus ainda continua comunicando bênçãos sobre a vida de todos os homens .
Portanto, ainda que os teólogos reformados, que na sua maioria sustentam a doutrina da graça comum, não cheguem a declarar claramente qual a base judicial para a comunicação destas bênçãos sobre os ímpios, não nos resta outra alternativa, a não ser concluir que a base legal para as comunicações graciosas de Deus sobre a vida dos ímpios está na obra expiatória de Cristo Jesus.
Para desenvolver esta argumentação percebemos algumas inferências consideráveis nos escritos de alguns estudiosos como William Cunningham que afirma que muitas bênçãos celestes fluem para a humanidade em geral provindas da morte de Cristo. Cunningham diz ainda que todos esses benefícios foram previstos por Deus quando ele resolveu enviar o seu Filho paro o mundo. Deste modo, sua declaração de que essas bênçãos provém da morte de Cristo sugerem que a base judicial está na própria obra expiatória de Cristo.



4 RELAÇÃO COM A DOUTRINA DA PROVIDÊNCIA


Embora a teologia reformada tenha tratado a doutrina da providência com uma ênfase maior no seu aspecto soteriológico, podemos afirmar que ela é mais ampla. Uma vez que todas as criaturas existem em função da sustentação que provém do Senhor podemos dizer que a providência é exercida num contexto soteriológico, mas não só.
Ao estudarmos a doutrina da providência de Deus nos colocamos diante daquela sua ação continuada onde ele preserva as coisas que foram criadas, executa os seus decretos e proporciona os meios para que as escolhidos conheçam o Redentor. Nesta sua obra da providência existem três elementos fundamentais: a preservação, o governo e o concursus.
Particularmente, no que concerne a preservação podemos observar que é tarefa especial de Deus preservar o homem. O profeta Isaías assim o declara: “Isaías 41:4 Quem fez e executou tudo isso? Aquele que desde o princípio tem chamado as gerações à existência, eu, o SENHOR, o primeiro, e com os últimos eu mesmo.”. Ao comentar o capítulo onde se encontra esta passagem, Van Groningen o coloca dentre os textos messiânicos do Antigo Testamento , o que nos leva a crer que a ação de preservação de Deus está intimamente relacionada ao ministério do Redentor.
Assim, devemos lembrar que a obra da providência é também uma obra do Filho, que em virtude da sua relação pactual com Israel acaba, incidentalmente, estendendo as bênçãos da aliança a pessoas que não são da aliança. Contudo, devemos lembrar que essa ação providente de Deus visa em primeira instância o bem do seu povo e, por consequência acaba atingindo o ímpio.
É exatamente essa idéia que adorna a expressão do apóstolo Paulo quando ele diz que todas as coisas cooperam para o bem dos que amam a Deus. . O Senhor conduz a história de tal forma que bênçãos são derramadas sobre a vida dos ímpios, para o bem dos escolhidos.
Dentre essas bênçãos analisaremos panoramicamente a ação restringente do Espírito como sinal da graça comum.

4.1 A AÇÃO RESTRINGENTE DO ESPÍRITO COMO SINAL DA GRAÇA COMUM.

De outro modo devemos reiterar a idéia de que muitos são os elementos que se relacionam com a manifestação da graça comum. Palmer, falando sobre essa graça sendo exercida através do ministério do Espírito Santo, escreve:

“Seja como for, a graça comum também compreende outras coisas mais sobre a ação do Espírito Santo na vida da gente. Inclui o fato de que Deus oferece sinceramente a salvação aos que estão perdidos mesmo não sendo eleitos e, portanto, sem nunca crer”.

Deste modo, nosso propósito aqui não será o desenvolvimento extensivo desta doutrina, mas apenas a observação da sua relação com a graça comum e, consequentemente, como efeito colateral da obra expiatória de Cristo.
Podemos dizer que essa ação do Espírito Santo se dá em dois níveis: um positivo e um negativo.
Positivamente o Espírito Santo opera estimulando as boas obras e, negativamente, freando a manifestação do pecado na vida dos indivíduos. Além disso, podemos dizer ainda que o Espírito Santo dota o homem de certas capacidades naturais para o desenvolvimento de certas tarefas culturais. Ao agir desta maneira o Espírito Santo impede a manifestação do mal na sua plenitude e ao abençoar com certa paz os ímpios, faz com que o mundo seja mais agradável aos filhos do reino.
Como nas Escrituras o Espírito é conhecido como o “Espírito da graça”, segue-se que essa ação restringente do Espírito é fruto da graça comum. Deste modo ele age indistintamente sobre todos os homens.

5 RELAÇÃO COM A DOUTRINA DO PACTO


Quando a Confissão de Fé de Westminster, um documento doutrinário de orientação reformada, trata sobre a doutrina do pacto, ela registra:

“Tão grande é a distância entre Deus e a criatura, que embora as criaturas racionais lhe devam obediência como seu Criador, nunca poderiam fruir nada dele, como bem-aventurança e recompensa, senão por alguma voluntária condescendência da parte de Deus, a qual agradou-lhe expressar por meio de um pacto”.

Isto significa que Deus tem se relacionando com as suas criaturas através de alianças. Citando Paul Helm, Mauro Meister declara que “de acordo com a teologia pactual, todas as relações de Deus com o homem são pactuais, de caráter federal”. . O que concorda com a declaração da Confissão de Fé de Westminster que ensina que Deus expressa a sua condescendência por meio de um pacto. Van Gronigen chega a declarar que a Bíblia “é o registro permanente das relações pactuais de Deus com a humanidade através dos séculos”. .
Nesta relação Deus estabeleceu laços de vida e amor, na criação, com toda a humanidade.
Contudo, Van Groningen observa que esta relação, estabelecida no pacto da criação, foi rompida, mas Deus tornou possível a restauração desse laço através do pacto da redenção. Assim, embora os dois pactos sejam distintos, o da criação e o da redenção, eles são inter-relacionados. Essa inter-relação mostra que existem elementos do pacto da criação que continuam sendo desdobrados no pacto da redenção. Por isso, Van Groningen também declara:

“O pacto da criação é o meio dentro do qual a vontade de Deus para a humanidade é conhecida e deve ser executada. É também o meio para a tarefa educacional e política da humanidade, tarefa essa inerente ao pacto da criação mas revelada à medida que o pacto da redenção é revelado e progressivamente desdobrado.”.

A partir daí, Van Groningen observa que do pacto decorre um mandato. O pacto da redenção traz consigo um mandato redentivo e sobre esse mandado redentivo Van Groningen escreve:

“ele (Deus) estabelece que a humanidade redimida seja uma benção para toda a humanidade – para todas as tribos, povos e nações. Isto será feito pela proclamação do evangelho da redenção e pela instrução nos caminhos que o Senhor designou para o serviço que glorifica a Deus”.


Ora, se o propósito de Deus no seu pacto de redenção é que os seu povo abençoe a humanidade, nada mais natural do que concluirmos que o próprio Deus irá também fazê-lo. Toda boa dádiva oriunda da comunidade do pacto é inspirada na manifestação da misericórdia divina. E, se Deus é misericordioso e gracioso em certa medida, com toda a humanidade, segue-se que ele continua abençoando o homem em virtude dos termos do seu pacto.
Além disso, devemos lembrar que a preservação, por exemplo, apresentada nas Escrituras, também está em conexão com a idéia de pacto. Ora, se a preservação é fruto do pacto, ela é, de certo modo, uma comunicação graciosa de Deus. Assim, se é uma comunicação graciosa de Deus ela tem necessariamente de encontrar uma provisão.
Em outras palavras. Toda comunicação graciosa de Deus necessita de uma provisão. Se ele se relaciona e se revela através de uma pacto, de alguma forma, as comunicações decorrentes desse pacto estão provisionadas neste concerto. Deste modo, na preservação, no governo e em qualquer outra comunicação, Cristo provê as condições.


6 EXEMPLOS BÍBLICOS DE BENÇÃOS DERRAMADAS SOBRE OS ÍMPIOS


Ao olharmos para as Escrituras Sagradas encontramos algumas informações preciosas sobre as bênçãos que o Senhor derrama sobre a vida dos ímpios. Essas indicações escriturísticas nos fornecem elementos imprescindíveis para o estabelecimento da proposta teológica desenvolvida neste trabalho.
Sendo assim, consideraremos neste tópico alguns textos bíblicos apropriados à temática do trabalho.
O primeiro texto bíblico separado é o de Atos 17.28. Nele encontramos o apóstolo Paulo no seu famoso discurso em Atenas. O seu público era formado por eleitos e não eleitos, o que é atestado pelo final da sessão em At. 17.32-34. Contudo ele é enfático ao declarar: Atos 17.28 “pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como alguns dos vossos poetas têm dito: Porque dele também somos geração.”. Aqui, Paulo reconhece que Deus continua derramando bênçãos sobre a vida de todos os homens.
Outro texto interessante é o de 2 Coríntios 9:10, onde se lê: “Ora, aquele que dá semente ao que semeia e pão para alimento também suprirá e aumentará a vossa sementeira e multiplicará os frutos da vossa justiça,”. Ao comentar esse texto, Calvino, vislumbrando a provisão do Senhor para o homem, declara: “…tanto a semente como o alimento provém da graça de Deus para o lavrador que semeia e acredita que é através do seu labor que as pessoas são nutridas.” . Ou seja, Deus derrama graciosamente a sua benção sobre o lavrador e, desta maneira, alcança indistintamente os homens. Essa declaração está em conformidade com o que diz o Salmo 145:15, onde se lê: “Em ti esperam os olhos de todos, e tu, a seu tempo, lhes dás o alimento.”.
Uma das porções bíblicas mais interessantes é a de Hebreus 6.4-6. Aqui o autor fala de um grupo de pessoas que não eram verdadeiramente crentes, mas, que em alguma medida provaram o dom celestial e se tornaram participantes do Espírito Santo. Calvino identifica essas pessoas com os apóstatas, o que parece muito natural na leitura do texto sagrado:

“4 É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, 5 e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, 6 e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia.” Hb. 6.4-6


Contudo, é extremamente interessante o comentário que ele faz sobre o verso 4, quando ele declara:

“Deus certamente confere seu Espírito de regeneração somente aos eleitos, e que eles se distinguem dos réprobos no fato de que são transformados na imagem de Deus, e recebem o penhor do Espírito na esperança de uma vida por vir, e pelo mesmo Espírito o evangelho é selado em seus corações. Em tudo isso, porém, não vejo razão para que Deus não toque os réprobos com o sabor da sua graça, ou não ilumine suas mentes com algumas chispas da sua luz, ou não os afete com algum senso da sua benevolência, ou em alguma medida na grave sua Palavra em seus corações.”

O autor da epístola aos Hebreus está, portanto, apresentando um quadro bem interessante, onde encontramos ímpios experimentando em alguma medida, porções da graça de Deus. Certamente, podemos afirmar que um dos propósitos de Deus é o de trazer ao coração dos verdadeiros crentes o senso de temor, humildade e consciência das nossas limitações diante do Senhor.
Tais textos servem, portanto, como uma breve observação das comunicações indistintas das bênçãos de Deus sobre a vida de todos os homens.


CONCLUSÃO


Deus, na sua insondável sabedoria derrama bênçãos sobre a vida dos não eleitos como efeitos colaterais da obra expiatória e Cristo.
Certamente esta ação de Deus revela a sua bondade e de modo especial ressalta a maneira sábia como ele administra as obras da sua providência. Isto significa que incidentalmente Deus comunica bênçãos sobre a vida de pessoas que não estão numa relação soteriológica com ele. Contudo, entendemos que essas bênçãos derramadas sobre a vida dos ímpios se dão em função do amor que Deus tem pelos seus. Assim, ao abençoar a vida dos réprobos Deus torna o mundo mais tolerável e, pela sua sábia e rica providência, conduz toda as coisas para um fim proveitoso.
Não obstante, devemos lembrar que os ímpios estão guardados sob maldição. Deus, ao abençoá-los revela-nos a grandeza da sua bondade, mas não permite que qualquer insinuação caluniosa macule a sua santidade. Ele ferirá com juízo os que rejeitam deliberadamente a pessoa de Cristo.
Outrossim todas as obras de Deus cumprem o Seu propósito. Ainda que pensemos nessas bênçãos sobre os réprobos como incidentais elas acontecem dentro da vontade decretiva de Deus.
Portanto Deus, com base na obra expiatória de Cristo, tem abençoado os ímpios e cumprido todo o seu propósito.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


A Confissão de Fé, o Catecismo Maior, o Breve Catecismo. 1. ed. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1991. 451p.

BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. Tradução de Odayr Olivetti. 2. ed. Campinas: Luz Para o Caminho, 1992. 790p.

BOETTNER, Loraine. Studies in Theology. Seventh Edition. Philadelphia: The Presbyterian and Reformed Publishing Company, 1965. 351p.

CALVINO, JOÃO. 2 Coríntios. Tradução de Valter Graciano Martins. 1. ed. São Paulo: Edições Paracletos, 1995. 271p.

_________. Hebreus, Tradução de Valter Graciano Martins. 1. ed. São Paulo: Edições Paracletos, 1997. 402p.

_________. Institución de la Religión Cristiana. 3 ed. Paises Bajos: Fundación Editorial de Literatura Reformada, 1986. v.2

CAMPOS, Heber Carlos. O Ser de Deus e as suas obras – A Providência e a sua realização histórica. 1. ed. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001. 679p.

CLARK, David S. Compêndio de Teologia Sistemática. Tradução de Samuel Falcão. Casa Editora Presbiteriana, 449p.

CUNNINGHAM, William. Historical Theology. Reprinted 1979. Philadelphia: The Banner of Truth Trust, 1979. v.2. 614p.

GRONINGEN, Gerard V. Criação e Consumação – O Reino, a Aliança e o Mediador. v. 1. Tradução de Denise Meister. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2002. 654p

_________. Revelação Messiânica no Velho Testamento. 1. ed. Campinas: Luz para o Caminho, 1995. 942p.

HODGE, Alexander A. Confissão de Fé Westminster Comentada por A. A. Hodge. Tradução de Valter Graciano Martins. 2. ed. São Paulo: Editora Os Puritanos, 1999. 596p.

_________. Esboços de Teologia. São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 2001. 952p.

LIMA, Leandro Antônio. Razão da Esperança – Teologia para Hoje. 1. ed. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2006. 672p.

MEISTER, Mauro F. Uma Breve Introdução ao Estudo do Pacto. Disponível em acesso em 12 de fevereiro de 2009.

PALMER, Edwin H. El Espíritu Santo. Edición Revisada. Barcelona: El Estandarte de La Verdad, 1995. 255p.

VAUGHAN, C.R. The Gifts of the Holy Spirit – To unbelievers and believers. First Banner of Truth Trust edition 1975. Philadelphia: The Banner of Truth Trust, 1975. 415p.

WARFIELD, Benjamim B. The Person and Work of Christ. Edited by Samuel Craig. Philadelphia: The Presbyterian and Reformed Publishing Company, 1950. 573p.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Fé e Ciência



A Fé e a Ciência



Recentemente a mídia divulgou amplamente o bicentenário de Charles Darwin, um naturalista britânico que ficou conhecido internacionalmente pela publicação da sua obra – A Origem das espécies, em 1859. Essa repercussão da mídia colocou mais lenha na ferrenha discussão que, por séculos, vem sendo travada entre os criacionistas e os evolucionistas. Assim, considerando a oportunidade que nos foi oferecida pelo momento histórico, tecemos algumas pequenas considerações sobre a relação entre a ciência e a fé.
1) Embora a ciência e a fé sejam matérias distintas, em sua essência elas não têm de ser adversárias.
Todo conhecimento é originado em Deus. Não se pode conhecer nenhuma realidade sem que esse conhecimento nos seja comunicado pelo Senhor. Deus é tão autor da ciência como é da fé. Contudo, o estado de rebelião a que o homem se sujeitou em virtude do pecado, tornou parte do conhecimento humano contrário à idéia de Deus. Em sua essência, o evolucionismo de Darwin é uma formulação filosófica, mesmo que sua forma final seja científica todo conhecimento é formulado e discutido a partir de sua relação com Deus.
2) A ciência trata os fatos como resultado de processos de observação, a fé trata a história como matéria de revelação.
Embora as Escrituras não sejam um tratado científico elas são autoridade naquilo que abordam. Falam da origem da vida sob uma perspectiva revelacional que lança luzes sobre o labor científico. Isto significa que é perfeitamente possível crer nas Escrituras sem ser “simplista” ou “ignorante” como sugere a mídia. Existem importantes cientistas criacionistas, que não são ouvidos, com idéias interessantes e fundamentadas sobre a origem da vida. Enquanto a ciência interpreta os fatos experimentando-os, a fé os considera sob a ótica da direção divina.
3) A fé, como resultado da regeneração, nos aproxima de Deus e a ciência, quando distante da sua origem fundamental, nos afasta da verdade.
Não estamos sugerindo que ciência e fé sejam irreconciliáveis, apenas entendendo que é fundamental que o homem busque conhecer a vida a partir de Deus. Crer que Ele existe, se relaciona conosco e transforma as nossas vidas interferirá sensivelmente em todas as nossas conclusões sobre a origem da vida.
Pense nisto!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

OLHANDO NA DIREÇÃO CERTA


OLHANDO NA DIREÇÃO CERTA



Na última semana o mundo parou para acompanhar a posse do novo presidente americano Barack Hussein Obama. Nas palavras de um jornalista: “Poucas vezes o mundo todo esperou tanto de um homem só.”. Essa expectativa quase “messiânica” colocada sobre o presidente nos faz pensar na cegueira espiritual do homem, que o impediu de contemplar a verdadeira esperança quando ela se revelou ao mundo.
Nas Escrituras Sagradas algumas vezes somos exortados a olhar para um lugar só e todas as vezes que isso acontece o foco é sempre o mesmo.
Em Isaías o profeta nos diz que devemos olhar só pra Deus: Isaías 45:22 “Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os limites da terra; porque eu sou Deus, e não há outro.”. Deus não admite que dividamos nossa esperança com outros “deuses”. Ele sempre se apresentou como o único Deus, aquele que deve ser adorado e buscado com exclusividade. Afinal de contas, todas as coisas pertencem a Ele e existem para Ele.
Já no Novo Testamento, quando o escritor da epístola aos Hebreus exortava a Igreja a permanecer firme, sua palavra era: Hebreus 12:1-2 “Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus.”. Assim, somos admoestados a viver a nossa vida contemplando apenas o Senhor Jesus, a razão da nossa esperança e a motivação da nossa vida.
Por outro lado, mesmo entendendo que somos ensinados a olhar para Deus, as Escrituras também ensinam que Ele olha para nós. Em Provérbios está escrito: Provérbios 15:3 “Os olhos do SENHOR estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons.”, e mais especificamente aprendemos que ele nos olha com compaixão. Certa vez, quando os discípulos ficaram apreensivos diante da mensagem que fala sobre a impossibilidade do homem salvar-se, Jesus, misericordiosamente olhou para eles e disse: Mateus 19:26 “Jesus, fitando neles o olhar, disse-lhes: Isto é impossível aos homens, mas para Deus tudo é possível.”.
Assim, enquanto o mundo perdido olha esperançoso para Obama, o verdadeiro crente sabe que deve olhar só para Jesus, que em sua infinita misericórdia contempla os seus filhos.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

DEUS NOS FEZ PESSOAS!



Deus nos fez pessoas!


Uma das grandes assertivas da doutrina da criação do homem é que Deus, como resultado de uma determinação especial, nos fez à sua imagem, conforme a sua semelhança (Gn. 1.26). Isso significa que pela Sua sabedoria recebemos a condição de refletir certos atributos da natureza divina, o que vincula necessariamente a nossa vida à do Senhor. Deste modo, podemos dizer que nossa vida tem sua base em Deus. E, como Ele é um ser pessoal, Deus nos deu então a capacidade de nos relacionarmos. Portanto, Deus nos fez pessoas!
A pessoalidade do homem tem implicações muito práticas e interessantes. Conhecer tais implicações e desenvolver suas proposições é uma das grandes responsabilidades do cristão que tem a sua imagem restaurada a partir da redenção do Salvador.
Portanto, devemos lembrar que:
a) Deus nos fez pessoas para um convívio harmônico com toda criação: As Escrituras nos ensinam que, em virtude do pecado original – aquele cometido por Adão, a própria natureza sofreu. Paulo diz que ela vive gemendo e aguarda a sua redenção (Rm. 8.22), como nós aguardamos a adoção de filhos. Isto nos faz lembrar que em tempos de mau uso dos recursos naturais somos chamados por Deus para zelar e conservar a obra das suas mãos;

Ainda, devemos considerar que:
b) Deus nos fez pessoas para um convívio harmônico com o nosso semelhante: O pecado também provocou inúmeros desajustes sociais. Os primeiros relacionamentos depois da queda foram marcados por violência (Caim, Lameque, etc...). Até hoje temos presenciado um número incontável de atentados contra a vida. Contudo, ao restaurar nossa vida em Cristo, Deus nos revelou o seu propósito de que desenvolvamos uma vida solidária e fraterna, amando uns aos outros e nos interessando vividamente pelas expressões do próximo. Foi precisamente isso que Jesus nos mostrou quando se compadeceu dos homens;

E por último, aprendemos que:
c) Deus nos fez pessoas para um convívio harmônico com Ele próprio: No livro do profeta Oséias lemos Oséias 6:3 “Conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR; como a alva, a sua vinda é certa; e ele descerá sobre nós como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra.”. Deus quer que o conheçamos e é sabido que esse relacionamento deve ser nutrido na pessoa de Jesus. Portanto, Deus nos fez pessoas para que desenvolvamos um relacionamento com Ele.

Portanto, envolva-se! Deus espera que em virtude da nossa pessoalidade busquemos uma relação sadia que nos traga crescimento espiritual.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

TESTEMUNHO DO MATEUS

Durante algum tempo pensei sobre qual seria o momento em que uma criança seria capaz de reconhecer o Senhor Jesus como Salvador de sua vida. Certamente, não seria uma tarefa fácil desenvolver um argumento teológico sobre o assunto. Mas, a espontaneidade do Matheus, no testemunho a seguir, mostra que os propósitos de Deus podem alcançar o coração do homem quando Ele bem entender.
Como pai, o que mais me emociona foi o fato de tudo ser espontâneo. Não combinamos nada previamente.
Primeiro ele disse isso enquanto estávamos orando para agradecer pelo almoço. Depois, minha esposa pediu pra que ele repetisse o que havia dito, e ai está o resultado.



Que Deus abençoe a vida dele e das crianças que receberem o Senhor Jesus em seus corações

Quem Sou Eu - Atividade para crianças

 Claro! Aqui estão 5 perguntas do tipo “Quem sou eu?” com personagens bíblicos , formuladas de modo adequado para crianças de 10 a 12 anos ...